Notícias

Zuzu Angel: 45 anos depois

FOTO ITAÚ CULTURAL

Zuzu Angel é uma figura presente sempre que falamos sobre moda brasileira e ditadura militar. Apesar do óbvio, sua morte só foi reconhecida como assassinato (por agentes da ditadura militar) em 2020, 44 anos depois. Além de sua batalha por justiça pelo assassinato de seu filho e sua nora no Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA), Zuzu também marca a história do Brasil como a primeira estilista a ser reconhecida fora do país.

Sua caminhada na moda também foi uma batalha. Até que fosse reconhecida como estilista e ter seu próprio ateliê, Zuzu morou sozinha na cidade do Rio de Janeiro de 1939. Começou costurando como freelancer, para ter uma renda até que conseguisse uma renda fixa, depois conseguiu um emprego como costureira em um ateliê e só nos anos 50 conseguiu realizar projetos próprios, mas só nos anos 70 é que esses trabalhos deixaram de serem feitos só para parentes e amigos. Ela investiu suas economias no sonho e abriu uma loja de roupas em Ipanema.

O sucesso chegou principalmente por conta de clientes importantes da sociedade, que admiravam o trabalho de Zuzu. Essa clientela a ajudou a expandir os negócios e Zuzu começou a realizar desfiles nos Estados Unidos. O diferencial de Zuzu Angel era seu excelente acabamento e a cultura brasileira literalmente estampada em suas roupas. Zuzu incluia cores vibrantes e pinturas da natureza (muitas feitas à mão por Zuzu). Ela misturava essas rendas, fitas e chitas com esses temas regionais com seda, organza e algodão.

REVISTA MANEQUIM – FOTOS ACERVO INSTITUTO ZUZU ANGEL

Após o assassinato de Stuart, Zuzu lançou uma coleção (em 1971) com estampas com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. Essa coleção teve desfile no consulado brasileiro em Nova Iorque, que foi pego de surpresa. O local foi escolhido estrategicamente por conta de  uma lei da ditadura militar que impedia que brasileiros criticassem o país no exterior. Então tecnicamente em território brasileiro, diante de jornalistas americanos e canadenses, Zuzu apresentou sua coleção e teve sua história estampada em manchetes internacionais. Lojas como  Bergdorf Goodman, Saks, Lord & Taylor, Henry Bendell e Neiman Marcus começaram a vender as roupas da Zuzu Angel e celebridades de Hollywood como as lendárias Joan Crawford e Liza Minelli foram vistas com peças da estilista brasileira.

A 1ª ONG de Moda fundada no Brasil é o Instituto Zuzu Angel, existente desde 1993 com ajuda da filha mais velha de Zuzu, Hildegard e Cesar Maia. O IZA, como foi apelidado, é reconhecido pelo Council of Fashion Designers of America e realizou o 1º Congresso de Moda no Brasil, fundou a Academia Brasileira da Moda, criou e coordenou por 13 anos o 1º Curso Superior de Moda do Estado do Rio de Janeiro (Universidade Veiga de Almeida) e a 1ª pós-graduação de Moda no Brasil (Universidade Estácio de Sá). Estabeleceu convênios com bolsas de estudo, na França, na Esmod, em Paris, e na Université de Lyon; em Portugal, na Universidade de Matosinhos e estágios no Atelier Tirelli em Roma. A Casa Zuzu Angel também profissionaliza restauradores de tecidos.

Fontes: Wikipédia, Acervo Digital Zuzu Angel, Uol

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s