Moda · Personalidades

Cruella: analisando os figurinos e a crueldade

Reprodução: TotalFilm

“Cruella” é o novo filme da Disney que traz a história da vilã Cruella DeVil de “101 Dálmatas”. Assim que o trailer foi divulgado, uma discussão surgiu na internet sobre a humanização de vilãs na tentativa de criar empatia com esses personagens perversos e que isso não caberia para uma personagem como a Cruella. Caso você não esteja familiarizado com este clássico, a Cruella é uma estilista que trabalha com peles naturais e que por algum nítido transtorno mental tem fascínio por peles, principalmente de Dalmatas. Ela rouba, mata e esfola cachorros. O que o filme da Disney tentará fazer será explicar o que levou a jovem Cruella a se tornar esta terrível fashionista. Para isso, além do roteiro, contam com o carisma de Emma Stone e de uma trilha sonora que inclui clássicos do rock.

O clichê de uma indústria fútil e cruel também está presente no longa. A representação segue no mesmo fio de clássicos como o Diabo Veste Prada, Mahogany ou Cinderela em Paris: pessoas já bem sucedidas na indústria da moda ensinam outras pessoas a se tornarem tão vazias quanto elas porque em teoria esse seria o segredo do sucesso. A moda se torna um alvo fácil para a indústria porque está ligada a imagem, questão que já começa a ser julgada em nossa infância. Além disso, o pertencimento a um grupo com acesso ao “hype” é o que a maioria das pessoas buscam ou entendem como sucesso.

Jenny Beavan, figurinista de “Cruella”, explica que seu objetivo era contar a história da Estella (nome verdadeiro da personagem) nos detalhes do que ela fazia ou vestia. Então no filme mostram ela ainda criança modificando os uniformes escolares, depois ela adota um pouco da cena punk da Londres dos anos 70 e quando começa a trabalhar para a estilista Baronesa Von Hellman, ela mistura sua criatividade rebelde com a perfeição da moda sob medida. As únicas alterações que Jenny se propôs a fazer foi a inclusão de cinza e vermelho na paleta de cores da personagem, conhecia pelo preto e branco. Para a Baronesa, ela separou os clássicos da década de 50 e 60, como tafetá e cetim, em modelagens inspiradas na Dior.

Agora, falando sobre o trabalho das equipes de figurino, tanto de “Cruella” quanto de “101 Dálmatas”, é um verdadeiro desfile de Alta-Costura. Uma das imagens do filme “Cruella” que mais circula na internet é a do vestido vermelho tapando um veículo (que é o da Baronesa). Jenny contou para a revista Variety que 12 pessoas costuraram a mão as pétalas para aquele vestido. O baile com tema de Maria Antonieta da Baronesa, que aparece no trailer, já foi todo em cima de customização. Jenny, como todo bom figurinista, encontrou fantasias do século 18 e as customizou com sua equipe para sofisticar as peças e deixar menos com cara de fantasia. No filme “101 Dálmatas”, Glenn Close vestiu peças desenhadas por Anthony Powell e feitas por Barbara Matera. Há muitos anos, Glenn Close tem uma cláusula em todos os seus contratos que a permite ficar com seus figurinos. Alguns ela doa para universidades, que é o caso dos figurinos da Cruella DeVil em “101 Dálmatas”. Para a Vanity Fair, Close explicou que apesar de lindos era muitas vezes insuportável usá-los. A equipe de figurinistas tinha um carrinho sob rodas para, quando acabasse a cena, tirassem imediatamente as roupas (ela precisava usar espartilhos apertados). Glenn Close também conta que não podia sentar depois que vestisse os figurinos.

Ame ou odeie, a representação de ícones fashion malditos sempre estarão presentes em filmes de Hollywood e o que nos resta é admirar o árduo trabalho das equipes de figurino que fazem a magia acontecer. Talvez caiba a nós, administradores dessa indústria vital, repensarmos a forma como nos comunicamos com o público geral e até mesmo com nossos colegas. Quem sabe um dia, em um belo e lindo futuro distante, Hollywood faça um filme retratando profissionais da moda competentes, mas gentis.

Fontes: Metropolis, NY Times, Bustle, Variety, Vanity Fair

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